quarta-feira, 4 de abril de 2018

A doença do Brasil

O Brasil está doente. O STF é o órgão que seria responsável pelo sistema imunológico do corpo do Brasil. E ele está doente. A - uma das - doença do Brasil é aquela velha teoria pós-moderna de que você pode interpretar um texto como quiser. O STF fez isso, por exemplo, quando decidiu interpretar como queria o texto da Constituição que definia a família e o casamento. Naquele momento eles usaram a hermenêutica pós-moderna e disseram que casamento poderia ser entendido como a união entre homem e homem, ou mulher e mulher. Os grupos de esquerda que apoiam essa ideia absurda, na época, acharam que essa forma de hermenêutica estava certa.

Quanto à questão da prisão de Lula depois da condenação em segunda instância, a mesma hermenêutica entrou em ação. A Constituição deixa claro que ninguém deve ser considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória (CF, art 5º, LVII). Ou seja, ninguém pode ser considerado culpado até que não haja mais recursos judiciais possíveis (art. 6º, §3º, DL4657). Assim, não se pode submeter à pena uma pessoa que não pode ser considerada culpada.

Porém, se o STF continuar aplicando a hermenêutica pós-moderna de interpretar um texto como quiser, não há problema algum em continuar mantendo presos pessoas que ainda não tiveram todos seus recursos julgados. É só interpretar o texto como quiser. Mas dessa vez os grupos de esquerda estão dizendo que essa hermenêutica não serve (podemos então anular todos os casamentos gays que fizeram?).

O fato é que a nossa lei é injusta nesse quesito. Ela é fraca, suja, favorece a maldade, e reflete um país que não teme a Deus e não serve o Todo-Poderoso. Fossemos nós um país verdadeiramente cristão, nossos dispositivos legais não seriam esses.

Na primeira ocasião, a do casamento, o STF usou a sua interpretação de texto pós-moderna para favorecer a injustiça. Agora eles poderiam usar o mal da interpretação pós-moderna para fazer a justiça e prender o bandido. Mas mesmo que eles façam o certo (prender o Lula e manter outros bandidos presos) eles terão de fazer do jeito errado, isto é, distorcendo novamente a Constituição, usando a sua hermenêutica maligna.

Deus pode, e muitas vezes o faz, usar pessoas más e injustas - como os ministros do STF - para fazer coisas justas e boas - como seria a prisão do Lula. Isso não significa que Deus seja mau, ou que o SENHOR concorde com o mal que está sendo feito. Simplesmente significa que Deus pode transformar em bem o mal que os homens fazem (Rm 8.29).

Eu, portanto, tenho de ser coerente, o Lula tem de ser preso, isto é justo. Mas dizer que o nosso texto constitucional atual favorece essa justiça, não. Isto não é verdade. A Constituição tem de ser rasgada, e outra nova, mais justa, tem de ser escrita, isso seria restabelecer justiça.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Identidade de Deus

    Quem é Deus?

    O Criador de todas as coisas.
    Gn 1.1
Esta pergunta é importante, pois introduz uma questão essencial para a adoração a Deus e a salvação dos homens. Num mundo cheio de falsos deuses que demandam nossa adoração, e falsos messias que prometem a nossa salvação, temos de ser exatos com relação a quem é Deus, realmente, para que não adoremos e nem confiemos a salvação de nossas almas a algo ou alguém que não exista, ou que não seja verdadeiramente Deus.
Deus, portanto, é o Criador de todas as coisas (Ef 3.9, Ap 4.11), dos céus e da terra (Gn 1.1, Is 40.28, Is 42.5), do Norte e do Sul (Sl 89.12), de todos os seres vivos (Sl 104.30), dos anjos, e de todos os seres celestes (Sl 148.1-5), do homem (Dt 4.32), de uma nuvem de dia, e um fumo, e um resplendor de fogo chamejante de noite sobre as habitações e congregações do monte de Sião (Is 4.5), de Israel (Is 43.1,7,15), de maravilhas e milagres (Ex 34.10), de um novo coração (Sl 51.10), luz, trevas, paz e mal (Is 45.7), salvação e justiça (Is 45.8), o ferreiro e o assolador (Is 54.16), a paz e a cura (Is 57.19), novos céus e nova terra (Is 65.17), alegria e gozo (Is 65.18), o querubim ungido que veio a cair (Ez 28.13ss), o vento (Am 4.13), esposos e esposas (Ml 2.10), os cristãos (Ef 2.10), um novo homem (Ef 2.15; 4.24; Cl 3.10), enfim, o céu e tudo o que há no céu, a terra e tudo o que há na terra, o mar e tudo o que há no mar (Ap 10.6), em uma palavra: tudo (Ap 4.11).
A palavra para criar nos versos acima corresponde à palavra hebraica bara, no Antigo Testamento, ou à palavra grega ktizo no Novo Testamento. Este esclarecimento é importante pois algumas traduções para o português usam diferentes palavras para traduzir bara, tais como formar, fazer, etc. O que é correto pois às vezes a mesma palavra é usada em um sentido, e às vezes em outro. No entanto, sempre há um ato criador de Deus nesses versículos. Nunca é um mero desenrolar natural daquilo que já existia, mas uma intervenção divina sine qua non.
Deus criou o mundo sozinho, e do nada, somente por seu próprio poder: “Porque assim diz o Senhor que tem criado os céus, o Deus que formou a terra, e a fez; ele a confirmou, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada: Eu sou o Senhor e não há outro.” (Isaías 45:18)
Deus controla a história de tal maneira que Ele cria fatos que ninguém poderia prever, coisas inéditas que só Ele pode conhecer: “Agora são criadas, e não de há muito, e antes deste dia não as ouviste, para que porventura não digas: Eis que eu já as sabia.” (Isaías 48:7)
Deus é o Criador e é totalmente diferente e separado da criação (santo). Os dois não podem ser confundidos: “Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.” (Romanos 1:25)
Aqui são sepultados os erros do panteísmo e do politeísmo. Todos os deuses que não criaram nada, não são deuses e estão fadados a desaparecer: “Mas o Senhor Deus é a verdade; ele mesmo é o Deus vivo e o Rei eterno; ao seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação. Assim lhes direis: Os deuses que não fizeram os céus e a terra desaparecerão da terra e de debaixo deste céu. Ele fez a terra com o seu poder; ele estabeleceu o mundo com a sua sabedoria, e com a sua inteligência estendeu os céus.” (Jeremias 10:10-12)
Se Deus é o Criador, todo aquele que não cria é criatura, e, portanto, não é Deus.
O panteísta diz que o universo é deus, e o ser humano é a consciência de deus. Essa é a doutrina básica do pensamento panteísta. No nível popular, o panteísta é aquele que usa vocabulários como: deus é a energia vital, as vibrações positivas e negativas, o lado claro e o lado negro da força, etc. O panteísta acredita que deus está presente em todos os lugares, mas não em sua integralidade, apenas parcialmente. Ou seja, uma parte de deus está aqui e outra lá. Como deus é tudo, e tudo é deus, o panteísta considera a si próprio como deus também, pelo menos uma parte de deus que está nele.
Em outras palavras, o deus panteísta não criou nada, ele simplesmente existe, está morrendo, tem pecado, e faz o mal. Ele não é totalmente santo, não é todo poderoso, não é eterno, não é justo, não é bom, não fala sempre a verdade, não controla todo o universo. Isto é, não é deus. O panteísta e o ateu estão no mesmo barco, que é o barco em que a Bíblia diz que eles estão: o da idolatria (Rm 1.23). O panteísta é apenas um ateu mais informado a respeito de sua própria incredulidade. Ele já aceitou que não pode ficar sem adorar algo ou alguém, por isso adora toda a criação, ao invés do Criador. Se o panteísta se gaba de não seguir a Bíblia, por ser “escrita por homens”, devia se lembrar que ele também é homem, e que os homens que escreveram a Bíblia, se as coisas forem como ele mesmo imagina, também são divinos.
O politeísta acredita na existência de vários deuses, não um só. Geralmente, há um deus no panteão que é superior aos demais, às vezes até mesmo sendo reconhecido como criador, mas a adoração e as preces são repartidas entre os vários deuses do panteão, nenhum dos quais criou o universo. Os deuses do panteão politeísta são seres humanos melhorados, mais fortes, que vivem mais tempo, às vezes mais inteligentes, com poderes mágicos, talvez, mas não são o Criador do universo, não são eternos, todo-poderosos, justamente porque não pode haver dois absolutos.
O politeísmo, portanto, é o último degrau na “evolução” religiosa do homem que abandona o seu Criador e rejeita a revelação de Deus em seu coração e na criação. Aqui, o homem abertamente adora aves, quadrúpedes e répteis (Rm 1.23). O politeísta vive sob medo, pois os deuses que não criaram os céus e a terra não dão as suas vidas pela ovelhas, são ladrões e salteadores, os quais só querem a gordura das ovelhas (Jo 10.1-11).

quarta-feira, 14 de março de 2018

Deus escolhe os nossos sofrimentos


1 Pedro 4:1-19:

“Ora, pois, já que Cristo padeceu por nós na carne, armai-vos também vós com este mesmo pensamento, que aquele que padeceu na carne já cessou do pecado;

Para que, no tempo que vos resta na carne, não vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus.

Porque é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias;

E acham estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de dissolução, blasfemando de vós.

Os quais hão de dar conta ao que está preparado para julgar os vivos e os mortos.

Porque por isto foi pregado o evangelho também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito;

E já está próximo o fim de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração.

Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados.

Sendo hospitaleiros uns para com os outros, sem murmurações,

Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.

Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém.

Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse;

Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis.

Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é glorificado.

Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios;

Mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte.

Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?

E, se o justo apenas se salva, onde aparecerá o ímpio e o pecador?

Portanto também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem.”



Deus é soberano sobre tudo. “O Senhor tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo.” (Sl 103.19) Nada escapa de Sua soberania. Porque Deus é criador e sustentador de todas as coisas, conforme lemos: “No princípio criou Deus os céus e a terra.” (Gn 1.1) e “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;” (Hb 1.3).

Deus cria todas as coisas, e nós chamamos isso de criação, Deus sustenta todas as coisas e nós chamamos isso de Sua providência. Nós existimos porque Deus nos criou, nós continuamos existindo, porque Deus continua sustentando a nossa existência. Tudo depende de Deus para começar a existir e para continuar a existir.

Na nossa vida, igualmente, e com muito mais razão, vemos a providência divina em tudo. Não só nas bênçãos, mas também nas tribulações. Deus providencia tanto as bênçãos quanto as lutas: “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Romanos 8:31-39)

E essa providência de Deus nas nossas vidas sempre visa um fim proveitoso. “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Rm 8.28) Ela sempre visa o bem, e faz com que até o mal se torne em bem.

Portanto, as lutas e tribulações, e os sofrimentos que passamos visam a um fim proveitoso. “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Romanos 5:3-5) e “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente;” (II Co 4.17)

A providência de Deus age de várias maneiras na nossa vida, seja limitando, permitindo ou enviando o sofrimento que devemos passar:

Limitando:

Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar. (I Co 10.13)

Permitindo:

Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.

E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.

Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si;(Romanos 1:22-24)

Enviando:

O Senhor prova o justo; (Salmos 11:5)

Deus limita os nossos sofrimentos, porque Deus sabe o quanto podemos suportar. Deus mitiga o nosso sofrimento quando merecíamos sofrer mais, porque Ele é misericordioso. Deus não cede à fúria dos nossos adversários, “Se não fora o Senhor, que esteve ao nosso lado, ora diga Israel; Se não fora o Senhor, que esteve ao nosso lado, quando os homens se levantaram contra nós, Eles então nos teriam engolido vivos, quando a sua ira se acendeu contra nós. Então as águas teriam transbordado sobre nós, e a corrente teria passado sobre a nossa alma; Então as águas altivas teriam passado sobre a nossa alma; Bendito seja o Senhor, que não nos deu por presa aos seus dentes. A nossa alma escapou, como um pássaro do laço dos passarinheiros; o laço quebrou-se, e nós escapamos. O nosso socorro está no nome do Senhor, que fez o céu e a terra. (Salmos 124:1-8)

Assim, Deus não permite a máxima medida do sofrimento que nos destruiria, e limita o nosso sofrer a um grau que nos aproxime Dele mas não nos destrua.

Deus também permite o sofrimento porque (i) vivemos em um mundo mau, contaminado pelo pecado, e (ii) temos um adversário que, se pudesse, nos consumiria, e (iii) damos motivo para o sofrimento porque também pecamos. Deus, então, muitas vezes permite que sejamos tocados, atingidos pelo mal que nós mesmos causamos, seja enquanto (i) indivíduos, seja enquanto (ii) família, seja enquanto (iii) sociedade.

Veja o exemplo de Israel no Antigo Testamento: “Por isso a ira do Senhor se acendeu contra Israel, e os entregou na mão dos espoliadores que os despojaram; e os entregou na mão dos seus inimigos ao redor; e não puderam mais resistir diante dos seus inimigos.” (Jz 2.14)

E Deus envia sofrimento à nossa vida, porque Deus usa o sofrimento como forma de disciplina para nos ensinar, para nos aprimorar, para nos santificar (tornar como Cristo) e para trazer mais glória ao Seu nome.

Nesse último ponto, temos de notar algumas coisas no texto base deste sermão:

Podemos sofrer como pecadores: “Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios;” v 15

Ou podemos sofrer como cristãos: “Mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte.” v 16

Se sofremos como pecadores, temos de que nos envergonhar. Se sofremos como cristãos, não temos de que nos envergonhar.

“Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis. Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é glorificado. Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios; Mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte. Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus? E, se o justo apenas se salva, onde aparecerá o ímpio e o pecador? Portanto também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem.” (1 Pedro 4:12-19)

Agora note que o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado: “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.” (I Jo 1.7)

Se sofremos assim, ou seja, se sofremos como cristãos, não é para purificar o nosso pecado, o qual já foi purificado. Se sofremos assim, sofremos por amor a Cristo e:

Consagramos o nosso ser a Cristo no sofrimento.

Encomendamos a nossa alma a Cristo (“Portanto também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem.” v. 19).

Mortificamos a carne e o pecado que ainda está presente em nós enquanto tendência para a rebelião. (“Ora, pois, já que Cristo padeceu por nós na carne, armai-vos também vós com este mesmo pensamento, que aquele que padeceu na carne já cessou do pecado;” v. 1).

Vencemos o mundo e Satanás que estavam aguardando a nossa queda.

Quem sofre por Cristo sofre como Cristo, participa dos sofrimentos de Cristo. (“Para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte;” Fp 3.10)

Ganhamos a Cristo. (“E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo,” Fp 3.8)

Se tão grande é o proveito que Deus produz em nós por meio da dor. Se a providência de Deus é determinante em cada aspecto da nossa vida, mesmo as aflições, o que aprendemos? Aprendemos que:

1. Não há dor desperdiçada.

Por sua graça, Deus torna em bem todo o mal feito contra os que o amam. Não há acidentes ou coincidências do ponto de vista da providência de Deus. No final da história, tudo faz sentido, tudo tem o seu lugar.

2. Deus escolhe os nossos sofrimentos.

A aflição presente é sempre um mistério para nós (“E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.” Hb 12.11) Mas Deus nos dá a disciplina sob medida para o fim almejado, o fruto que o Senhor já vê, mas nós ainda não – o exemplo de Jesus (“Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.” Hb 12.2)

3. Temos de tomar a cruz como algo que Ele deu(“E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.” Lc 9.23). Suportar as aflições, mas não só isso, abraçar as aflições.

4. Podemos pedir que o Senhor nos livre da aflição (Sl 6), podemos lamentar o nosso estado presente diante do Senhor (Lm 3), mas não podemos deixar de glorificar a Deus sempre e em tudo (“Ainda que ele me mate, nele esperarei;” Jó 13.15a; “Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.” 19.25ss; “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” I Ts 5.18).

terça-feira, 13 de março de 2018

Qual é a primeira verdade ensinada na Bíblia?

Qual é a primeira verdade ensinada na Bíblia?

Que Deus existe.
  • Gn 1.1
O texto sagrado, em geral, não faz diretamente a asserção de que Deus existe, e quando o faz não o faz com o propósito de buscar provar a existência Dele. Antes, a existência de Deus é sempre mencionada como pressuposto do que se está dizendo ou como algo óbvio. Assim, a verdade de que Deus existe é ensinada no primeiro versículo da Bíblia simplesmente dizendo que Deus criou os céus e a terra.
Noutras palavras, ao dizer o que Deus fez, pressupõe-se que Deus existe, que há um Deus. Isso é importante na nossa abordagem do tema, pois para nós as Escrituras são a única regra de fé e prática. A Bíblia é toda verdadeira e toda a verdade está na Bíblia. Nós aprendemos com o que a Bíblia ensina, e aprendemos com o modo como ela ensina. Por isso, cremos que Deus existe, e falamos de Deus como um ser que existe. Quando falamos do Senhor, devemos, portanto, nos referir a Ele como alguém presente na sala, não como alguém ausente. Como a Bíblia trata a existência de Deus como algo óbvio, nós também devemos tratar a existência de Deus como algo óbvio. Como a Bíblia pressupõe a existência de Deus em tudo o que ela diz, nós devemos pressupor a existência de Deus em tudo o que dizemos.
A questão que não pode ficar para trás é o que faz a existência de Deus ser óbvia.
O Catecismo de Westminster (item 2) coloca a resposta nestes termos: “A própria luz da natureza no espírito do homem e as obras de Deus claramente manifestam que existe um Deus.”
Paulo explica em Romanos 1.19,20: “Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis.”
Assim, existe uma revelação de Deus que todo homem possui. Ela está na criação toda, a começar pelo próprio homem, que é feito à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26ss), e em seguida toda a criação em uníssono anuncia a glória de Deus: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.” Salmos 19:1
O homem que diz que não há Deus o faz não por excesso de conhecimento, mas por tolice: “Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem.” Salmos 14:1; “Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, e cometido abominável iniqüidade; não há ninguém que faça o bem.” Salmos 53:1
Nestes dois versículos acima, é o néscio, o tolo, o falto de entendimento, que diz que não há Deus, ou seja, que Deus não existe. Mas além da característica de ser tolo, a Palavra de Deus ainda acrescenta a de ser iníquo, corrompido, e de não fazer o bem, somente o mal. Por isso, não é somente tolice, mas também o pecado que faz com que o homem negue a existência de Deus.
Isso fica mais claro em textos como: “Por que blasfema o ímpio de Deus? dizendo no seu coração: Tu não o esquadrinharás?” Salmos 10:13; “A transgressão do ímpio diz no íntimo do meu coração: Não há temor de Deus perante os seus olhos.” Salmos 36:1. Note como neste último versículo é a transgressão do ímpio que fala. Ela declara mais do que as suas palavras.
Assim, quando alguém diz que Deus não existe, isso nunca é o resultado de um raciocínio equilibrado e de um estudo minucioso e imparcial dos fatos e das evidências. Sempre é uma declaração de rebeldia e de insubordinação ao Deus Eterno. Assim, como o pecado é uma transgressão da vontade de Deus manifestada em Sua lei, assim o ateísmo é a afirmação da transgressão. Como se o ímpio dissesse: pequei, e confirmo o meu pecado.
São Paulo nos ensina em Rm 1.18: “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.” Isto é, os homens não deixam que a verdade tenha o seu curso perfeito e final. Em outras palavras, caso eles considerassem bem a si próprios e o mundo real que existe fora deles, diriam com convicção que Deus existe, que Ele é justo e bom, e que Ele é o Todo-poderoso eternamente. Mas eles não permitem que a verdade tenha o seu curso natural, racional, equilibrado e imparcial, antes detêm a verdade em injustiça.
Dessa forma, admitir a existência de Deus não é o maior problema. Todo homem sabe, com algum grau de clareza, que Deus existe. O maior problema para o homem pecador é glorificar a Deus enquanto Deus, e dar-Lhe graças: “Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.” (Rm 1.21)
O mundo que existe, portanto, aponta para o Deus que existe. Uma vez que o homem nega o Deus que existe, ele deve entenebrecer o seu entendimento com alguma coisa que explique a si mesmo e ao universo no qual ele vive, sem glorificar a Deus, como se entende de Efésios 4.17,18: “E digo isto, e testifico no Senhor, para que não andeis mais como andam também os outros gentios, na vaidade da sua mente. Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração.”
Essa explicação que o homem dá sempre gera um falso deus. Um ateu genuíno, ou seja, um homem que realmente não adora nada, um homem verdadeiramente sem deus (a=não, teu=deus) não existe. O homem sempre adora algo ou alguém, se não for o Deus verdadeiro será sempre um falso deus. Por isso, diz São Paulo: “E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.” (Rm 1.23).
Qualquer argumento a favor da existência de Deus é, portanto, somente confirmatório, isto é, secundário e a posteriori. A existência de Deus é algo de que o homem já sabe intuitivamente, pela revelação de Deus em seu coração e no universo. Os argumentos vem, portanto, apenas para confirmar aquilo que o homem já sabe no seu interior, para colocar em palavras aquilo que o homem sabe em intuição. O próprio Espírito Santo é quem mantém viva a verdade da existência de Deus no coração dos homens (“Então disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos.” Gn 6.3).
Por que, então, usar argumentos? Porque nós temos argumentos! Porque aquilo que sabemos em nossos corações pode ser posto em palavras e argumentos racionais, equilibrados e imparciais. E qual a utilidade desses argumentos? Eles são úteis para confirmar a fé dos que já crêem, e para desarmar a incredulidade dos que não crêem. Eles são úteis na evangelização à medida que o próprio Espírito Santo pode usá-los, quando são mencionados por um crente, para convencer os corações impenitentes.
Note como Pedro coloca esse ponto: “Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós, Tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom porte em Cristo.” (1 Pedro 3:15,16)
E note como Paulo usou argumentos, debates, disputas para persuadir pessoas acerca do Reino de Deus: “E, entrando na sinagoga, falou ousadamente por espaço de três meses, disputando e persuadindo-os acerca do reino de Deus. Mas, como alguns deles se endurecessem e não obedecessem, falando mal do Caminho perante a multidão, retirou-se deles, e separou os discípulos, disputando todos os dias na escola de um certo Tirano. E durou isto por espaço de dois anos; de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, assim judeus como gregos. E Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias.” (Atos 19:8-11)
A Bíblia, portanto, trata o assunto da existência de Deus de duas formas, (i) ela pressupõe a existência de Deus, e (ii) ela trata a existência de Deus como algo óbvio.
(i) Primeiro importa tratar a existência de Deus como pressuposto. Para isso vamos analisar as opções: se Deus existe, se Deus não existe. Se Deus existe, então Ele nos criou à Sua imagem e semelhança e para a Sua glória e para gozá-lo para sempre. Por isso a nossa vida tem propósito, valor e dignidade, e somos capazes de pensar e de construir coisas. Nós olhamos para o mundo real e vemos verdade e mentira, bondade e maldade, beleza e feiura. E temos certeza que essas coisas estão realmente lá, porque Deus nos deu uma alma capaz de absorver e afetar o mundo em que vivemos. Sabemos o que é verdade comparando com o que Deus revelou, sabemos o que é bom comparando com o caráter de Deus, e sabemos o que é belo comparando com a glória de Deus.
Se Deus não existe, então não temos propósito, não temos imagem nem semelhança. Não temos alma. Somos apenas matéria, átomos que acidentalmente se organizaram em moléculas, que acidentalmente se organizaram em células, e etc. Não somos criatura de Deus, que não existe, portanto, não fomos feitos com um propósito no universo. A nossa existência é um acidente, e acidentes não tem valor. Acidentes acontecem. Nada é realmente verdadeiro, porque nossos pensamentos são apenas acidentes químicos em nosso cérebro. Nada do que nós pensamos pode ser dito verdadeiro, porque nunca sabemos para que direção os componentes químicos em nosso cérebro vai direcionar os nossos pensamentos. Não sabemos se algo é realmente belo, porque só temos o gosto pessoal, e não sabemos se algo é bom, pela mesma razão.
Do ponto de vista do ateu, ele não tem base racional para dizer que uma rosa que acabou de desabrochar é mais bonita do que uma rosa que acabou de murchar. Ele não pode dizer racionalmente que o ateísmo é mais verdadeiro ou plausível do que qualquer outra cosmovisão, porque se o ateísmo for verdadeiro, nunca saberemos a verdade. Um ateu não pode dizer que ajudar uma velhinha a atravessar a rua é melhor do que empurrar a velhinha na frente do ônibus, porque uma velhinha tem o mesmo valor e dignidade que um saco de batatas, visto que são só moléculas.
A cosmovisão ateísta, portanto, é absurda. E é impossível. Deus é o pressuposto necessário para se pensar e fazer qualquer coisa. Toda vez que alguém diz que algo é injusto, ele pressupõe a existência de Deus. Se alguém diz que algo é justo ou injusto, nós devemos sempre perguntar: de acordo com quem? Se Deus existe, então o caráter Dele é o padrão do que é justo. Se Deus não existe, só temos a opinião pessoal.
Quanto ao fato de a existência de Deus ser óbvia. Para o fim deste comentário, vale elencar quatro argumentos: cosmológico, teleológico, ontológico, moral.
O argumento cosmológico é uma resposta à pergunta: por que existe alguma coisa ao invés de coisa nenhuma? E ele pode ser colocado assim (Leibnitz):
  • Tudo o que existe tem uma explicação de sua existência, seja na necessidade de sua própria natureza ou em uma causa externa (p ex. A esfera brilhante à beira da trilha).
  • Se o universo tem uma explicação de sua existência, a explicação é Deus (o universo não gerou a si mesmo, e a própria natureza do universo não é eterna).
  • O universo existe.
  • Portanto, a explicação da existência do universo é Deus.
Ou assim (Kalam):
  • O que quer que comece a existir tem uma causa.
  • O universo começou a existir.
  • Portanto, o universo tem uma causa (e considerando a extensão do objeto de que estamos falando - o universo - a causa tem de ser extremamente poderosa e sábia, ou seja, tem de ser Deus).
Para um estudo mais detalhado, consulte o artigo do Dr. William Lane Craig em http://www.leaderu.com/offices/billcraig/docs/cosmological_argument.html
O argumento teleológico é uma resposta à pergunta: por que o mundo que existe tem ordem e propósito? E pode ser colocado assim: A existência de ordem e propósito no universo é sempre reconhecida, com maior ou menor intensidade, pelas pessoas, e demonstra, necessariamente, a existência de inteligência e, portanto, de uma mente que colocou em ordem todas as coisas. Essa mesma idéia está presente nas Escrituras, e o Salmo 104 é o representante mais famoso dentre os textos desse tipo.
O argumento ontológico pode ser colocado assim: Se é possível que Deus exista, então Deus existe. A ideia de perfeição inclui existência, pois aquilo que não existe será algo menos do que perfeito; portanto, desde que temos a ideia de um ser perfeito, aquele ser deve existir pois a ideia inclui sua existência, ou ele seria algo menos do que perfeito. E a explicação segue assim: Deus é o maior ser possível, se existisse algo maior do que Deus, esse algo seria Deus. E, o maior ser possível tem de ser todo-poderoso, conhecer todas as coisas e ser moralmente perfeito em qualquer mundo possível. Mundos possíveis são formas que o mundo poderia ser. Algo como um unicórnio poderia existir em um mundo possível, mas um círculo quadrado não poderia existir em nenhum mundo possível porque é uma contradição lógica. A ideia do máximo ser possível é lógicamente coerente e, sendo o máximo ser possível, ele deve existir em qualquer mundo possível. Dessa forma, o máximo ser possível existe também no mundo real, que é um mundo possível. Portanto, o máximo ser possível existe.
O argumento moral pode ser colocado assim:
  • Se Deus não existe, não existem valores morais objetivos.
  • Valores morais objetivos existem.
  • Portanto, Deus existe.
A natureza de Deus é o ponto de referência para que cada um saiba em que lugar ele mesmo se encontra. Comparando as ações de cada um com a natureza de Deus, podemos saber se algo é certo ou errado, bom ou mau. Mas, se não tivéssemos esse ponto de referência objetivo (fora de nós mesmos), só teríamos a opinião subjetiva de cada pessoa. Se nós pudermos dizer, com certeza, que molestar crianças ou matar pessoas baseado somente na cor da pele é errado para qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo em qualquer momento da história, então nós temos que admitir que existem valores morais que estão fora de nós (objetivos), e, portanto, que Deus é a fonte desses valores.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

E é quase Natal!



Chega dezembro e começam as cruzadas de certos indivíduos contra o Natal. Uns dizem que é paganismo voltando, outros dizem que é só comércio, outros dizem que é a temporada de uvas passas no arroz e cada um tem sua própria queixa para fazer. E, entre alguns cristãos sinceros, com vontade de comemorar a encarnação do Filho de Deus, fica uma dúvida espinhosa que lhes tira a alegria da celebração: por que e como celebrar a Natividade?

Neste curtíssimo excurso quero responder de forma objetiva, prática e não polêmica (Na medida do possível. Caso eu perceba necessário, posso escrever outro artigo mais polêmico.) essas duas perguntas.

Por que comemorar o Natal?

A vinda de Jesus a este mundo marca o ponto crucial da história do universo. Do ponto de vista do ser humano, nada é mais importante. A própria criação do mundo perderia o valor, no que toca a nós, se não fosse o amor de Deus que deu seu Filho Unigênito. Fomos criados, mas nos perdemos. Com a vinda de Jesus fomos redimidos.

A ressurreição do Senhor pressupõe a Sua morte. A morte do Senhor, por sua vez, pressupõe o Seu nascimento. Somos salvos pelo Menino que nasceu na manjedoura em Belém.

Nenhum aniversário é mais importante do que o do Senhor. Podemos dizer que com o Senhor nasceu toda a nossa esperança e salvação. Se o Senhor não tivesse nascido não teríamos motivo para comemorar o nascimento de mais ninguém. Se isso não for motivo suficiente para comemorarmos e nos alegrarmos pela Natividade do Senhor Jesus Cristo, então que motivos temos para comemorar o nosso próprio aniversário?

Os cristãos se alegram todos os dias pelo nascimento do Salvador, mas escolheram um dia especial no ano para fazer memória, banquetes, troca de presentes, e expor símbolos que abrilhantam a alegria diária e que fortalecem a fé dos salvos. Didaticamente, comemorar o Natal em um dia especial do ano ajuda a preservar a chama e a passar o conhecimento às próximas gerações, além de criar um ambiente em que o testemunho do Evangelho atrai a curiosidade dos de fora e faz que até eles parem, ou aproveitem a nossa pausa, e reflitam sobre o que o Senhor também fez por eles.

Alguns cristãos fizeram cálculos e pensaram que possivelmente Jesus nasceu no dia 25 de dezembro. Mas isso é questionável, e a Bíblia não garante nenhuma data. É fato que antigamente, pagãos comemoravam festivais religiosos nessa mesma data. Mas a esta questão podemos opor duas respostas: qual dia do calendário os pagãos não comemoravam algum festival religioso? Nós teríamos que aumentar um dia no calendário para inventar uma data que não tivesse alguma relação pagã anterior. Segundo, sim, nós usamos a data em que os pagãos comemoravam esta ou aquela festividade religiosa a um falso deus, e, agora, os pagãos que se convertem só adoram ao verdadeiro Deus e só comemoram o Natal do Verdadeiro Filho do Verdadeiro Deus. Nós vencemos, o paganismo foi derrotado. Glória a Deus nas alturas!

Como comemorar a Natividade do Filho de Deus?

A Bíblia não prescreve formas prévias para essa comemoração. Mas os cristãos, ao longo de milênios desenvolveram tradições e significados baseados no relato bíblico e no heroísmo de alguns santos. Assim, por exemplo, nasceram os presépios, não como nichos para adorar imagens, mas como formas visuais de contar a história do que aconteceu naquela linda madrugada. Os presentes, árvores de Natal, músicas natalícias, banquetes e o próprio Papai Noel.

O presépio.

É uma forma muito boa de ensinar as crianças sobre o que aconteceu no nascimento do Senhor, e de atrair a atenção delas para a história. A maquete da gruta, os pequenos animais, a manjedoura, as roupas humildes da sagrada família, e dos pastores, tudo conta uma história. O Filho de Deus pode ser representado em um pequeno rolinho de pano, sem imagens do divino, o que seria inaceitável. As crianças podem se envolver na produção do presépio, e a história fica gravada na mente do pequeno.

A Árvore de Natal.

Não se sabe com certeza como a Árvore de Natal foi introduzida nas comemorações. Há uma estória que diz que foi Lutero. Mas não é possível comprovar. Nós sabemos que os heroicos moravianos trouxeram essa tradição para as Américas. A Árvore simboliza a ressurreição e a vida eterna. As coníferas do Norte não morrem no inverno, embora pareçam ter morrido. Na primavera elas brotam folhas de novo e continuam como se nada houvesse acontecido. A estrela no topo da árvore é símbolo da estrela que guiou os magos a Jesus.

Papai Noel.

Se você quiser que as crianças na sua família tirem bom proveito de todos os símbolos natalícios, não precisa exorcizar por completo o Papai Noel. A figura lendária que não nos agrada por seus propósitos duvidosos, tem origem numa pessoal real, um santo cristão de tempos remotos que ajudou as filhas de um irmão pobre, dando-lhes ouro, o qual depositou na janela – daí a tradição de colocar meias nas janelas e de manhã ir procurar o presente. Você pode trazer o foco para o santo cristão real, que existiu e que se sacrificou pelo bem de alguém, e contar de Jesus para explicar porque ele fez aquele bem, de onde veio o supremo bem que o moveu a ser compassivo. Você não precisa exercitar os seus filhos no egoísmo e consumismo da presente geração, mas pode exercitá-los na graça e na misericórdia, contando a história de como esse velhinho ajudou os necessitados no passado, e como nós ainda ajudamos os necessitados no presente. Assim como o Senhor se compadeceu da nossa pobreza, e se fez pobre para que fossemos feitos ricos em Deus.

Presentes.

Os presentes que damos no Natal os damos gratuitamente, sem motivos, sem porquês, a única coisa que as crianças tem de fazer no Natal é receber o que lhes é dado. Não importa o valor ou a grandeza do presente, mas sim a graça empregada no dar, e a fé empregada no receber. É uma forma didática de demonstrar o Evangelho para as crianças e para as pessoas em geral.

Banquetes.

No Natal muitos cristãos ao longo da história se dedicaram a dar banquetes e a convidar pessoas das mais variadas posições e origens, inclusive aquelas que não poderiam jamais recompensá-las nesta vida. Alimentá-las, se alegrar com elas, distribuir presentes e contar a história de Jesus é uma excelente forma de se comemorar o Natal. Pode ser um simples churrasco com a família, em que se convida pessoas necessitadas, solitárias, inválidas, etc.

As canções natalícias.

Poucas coisas foram artisticamente produzidas na história do cristianismo tão belas como as canções de Natal. Elas contam a história de forma poética, melodiosa, fácil de gravar e deliciosa de ouvir. São boas para ensinar as crianças e comover os adultos. Eu fiz uma lista de canções natalícias que podemos encontrar na Harpa Cristã (Assembléia de Deus), e no Hinário Novo Cântico (Presbiteriana) que seguem ao final deste folheto com um link para o Youtube com vídeos das músicas e letras.

Há tantas outras formas que eu não pude lembrar, algo mais lhe vem à mente? Não é pecado não comemorar o Natal. A Bíblia não obriga mesmo. Mas que alegria é fazê-lo, e quanto podemos espalhar da Luz do Santo Menino Jesus simplesmente nos alegrando com as pessoas amadas pelo Seu Natal!

Canções de Natal

Harpa Cristã
120 – Noite de Paz
366 – O Nascimento de Jesus
475 – Em Belém
481 – Cristo e Sua Humilhação
489 – Chegai para Adorar

Hinário Novo Cântico
230 – Adoração
231 – O Primeiro Natal
232 – Pequena Vila de Belém
233 – Os Pastores no Campo
234 – Quem é o Pequeno a Repousar
235 – O anjo da paz
236 – Em linda noite
237 – Jesus nasceu
238 – Novas de amor
239 – Nasce Jesus
240 – Louvor angelical
241 – O nascimento de Jesus
242 – Os anjos e o natal
243 – Noite de paz
244 – Mensagem aos pastores
245 – Homens sábios e de bem
246 – Jesus, o Messias
247 – Estrela cintilante
248 – No humilde presépio
249 – Na manjedoura
237A – Linda estrela


sábado, 11 de novembro de 2017

Consciência Cristã


Um pequeno comentário no Salmo 7



No tempo em que Davi estava sendo perseguido por Saul, fugindo de caverna em caverna, agradecendo todos os dias a Deus por não ter sido capturado e assassinado, alguém chamado Cuxe, de quem não sabemos nada a não ser que ele era benjamita, fez algumas acusações contra Davi.

Seja qual for exatamente o conteúdo da acusação que o tal Cuxe fez, nós sabemos que i- era grave, porque Davi se afligiu tanto por ela que registrou em salmo (cap. 7) sua oração a respeito disso. Nesse salmo, Davi diz que pensa que a pessoa que for culpada da tal acusação mereceria a morte, e não uma morte comum, mas uma morte humilhante,

“Espezinhe no chão a minha vida
e arraste no pó a minha glória”

Além disso, nós sabemos ii- que, seja qual for essa acusação, ela era falsa. Davi estava convicto de sua inocência, pelo menos naquele caso. Ele sabia que não tinha feito nada do mal de que o acusavam. Mais, ele sabia que havia feito exatamente o oposto! Não é que ele não houvesse feito o mal, mas que havia feito o bem. Não que ele não houvesse traído o inocente, mas que havia poupado o que o traiu.

Agora, ele estava em fuga, em menor número (muito menor número), com pouco ou nenhum recurso, e acusado publicamente de crimes infames que não havia cometido e dos quais não podia se defender. Contudo, a consciência limpa é o paraíso, como dizia um dos reformadores menos ilustres.

Esse paraíso foi um lugar de descanso e refúgio para Davi. Exteriormente a sua situação era deplorável, mas ele tinha uma consciência limpa. Podia dormir e descansar em paz..., ops, e acordar também!

Ele sabia que o juiz de toda a terra é o Senhor! O inocente tem sempre o que temer quando é injustamente acusado, mas não se o juiz for Jeová. Simplesmente porque o Juiz de toda a terra nunca é enganado por provas falsas e falsos testemunhos. Nunca é subornado ou pressionado por ninguém. O julgamento Dele é sempre de acordo com a verdade. Mais do que os simples fatos exteriores, o que seria já de grande valia, Ele conhece os fatos interiores, os segredos do coração dos homens. Ele sabe a verdade que se esconde por trás das palavras.

Se Davi tinha de que confiar por saber que o juiz era o Senhor, quanto mais temos nós por saber que Jesus é o nosso Advogado!

Agora Davi tinha algo que resolver. A questão havia sido levantada, não por ele, e agora a verdade e a justiça tinham de ser vindicadas. Mas ele também não poderia ser o vindicador. Ele era a vítima e seus adversários eram muito maiores e mais fortes do que ele. O juiz da terra, Saul, era contrário a ele, e já havia deliberado contra ele. Não havia no mundo tribunal algum a que recorrer. E Davi simplesmente ficar irado contra os caluniadores, e falar palavras de ofensa ou ameaças não poderia mudar nada. Note, aqui chegamos a uma questão muito importante. A questão do julgamento. Pois as pessoas, algumas pessoas até bem intencionadas, pensam já que o Senhor Jesus nos disse “não julgueis para não serdes julgados, pois com a mesma medida com que medirdes vos medirão também,” então não podemos dizer se algo é certo ou errado, verdade ou mentira, muito menos poderia Davi chamar Cuxe de mentiroso, mesmo sabendo que Cuxe havia mentido, porque isso seria julgar, e julgar foi proibido pelo Senhor, conforme nós “vimos” nos versos acima.

O problema é que não vimos nada disso nos versos acima. Jesus não disse “não julgueis.” Ele disse “não julgueis a fim de não serdes julgados.” Noutras palavras, não aplique aos outros critérios que não esteja pronto a aplicar a si mesmo, porque esses critérios será aplicados. Agora isso significa que você pode identificar que algo é mentira ou verdade, e que alguém é verdadeiro ou mentiroso, desde que possa aplicar esses mesmos critérios a si próprio. Além disso, Jesus disse “não condeneis para não serdes condenados.” e isso explica muita coisa sobre o tipo de julgamento que Jesus deseja que nós suspendamos.

De qualquer forma, Davi foi bem criterioso em seguir o ensino do Espírito (sim, o mesmo Espírito que falou nos evangelhos falou nos Salmos) e, portanto, trouxe tudo ao Juiz, àquele que pode julgar com retidão. Aquele que não culpa o inocente e não inocenta o culpado é quem deve julgar a causa.

Aliás, um parêntese, você sabia que o oposto dessas DUAS coisas é abominação ao Senhor? É porque algumas pessoas estão felizes desde que não condenemos os inocentes, e por isso, deixamos os culpados à vontade na sala. Fecha o parêntese.

As autoridades delegadas, derivadas, haviam falhado miseravelmente em fazer o que era certo e identificar a mentira, e por isso não havia a quem apelar se não à Origem de toda a autoridade, o Poder nos céus. Não que não apelemos a Ele antes mesmo de esgotar as instâncias terrenas.

Isto é o que chamam, até com um tom pejorativo como me parece, de imprecação, ou de salmo imprecatório. Um verdadeiro incômodo, uma pedra no sapato dos pregadores moderninhos. É que é tão politicamente incorreto orar a Deus para fazer justiça... Imagine como são infelizes os que tem fome e sede de justiça aos olhos dos nossos pregadores do evangelho fofinho. Mas aos olhos de Jesus eles são felizes! Jesus mesmo fez algumas imprecações.

Será que é pecado orar como Davi orou neste salmo? Foi o Espírito SANTO que inspirou Davi a orar assim, e foi a respeito de Cuxe que ele orou assim! Não foi uma oração em geral, sobre uma generalidade indefinida de pessoas. Não foi a respeito de Hitler, Stalin, Mussolini, Polpot, e outros assassinos famosos, mas a respeito do desconhecido Cuxe que fez uma falsa acusação contra Davi que, se não fosse ascendente direto de Jesus, também seria mais um desconhecido no passado nublado da humanidade. Mas foi uma falsa acusação, feita contra um inocente, e isso é errado, não importa quão pequena seja a pessoa do inocente, ou a pessoa do culpado. A sede de justiça clama por sua água até nos lugares mais remotos e esquecidos. E Deus é a fonte da água viva! Se há alguém para quem pedir socorro contra a injustiça esse alguém é Deus. E, mesmo sabendo que isso pode ofender algum dos meus mais sublimes leitores, tenho que dizer que o único socorro contra a injustiça possível é a justiça. Nada pode resolver a injustiça, senão a justiça. Nada pode corrigir o mal, senão o bem. E aqui, chegamos a mais uma encruzilhada.

Estamos em uma encruzilhada porque eu acabei de fazer um paralelo entre justiça e bem. Injustiça e mal são coisas fáceis de aceitar como paralelas. Mas a mente do brasileiro, especialmente do brasileiro evangélico jovem adulto, não permite com facilidade que ele veja que a relação íntima e inseparável entre o que é bom e o que é justo. Por isso tornou-se corrente entre nós a regra de que é melhor não punir ninguém para não correr o risco de errar e punir alguém que não devia ser punido. Por isso se tornou tão popular em nosso tempo a ideia de que está tudo bem furtar, desde que a vítima seja rica. Está tudo bem desobedecer os pais, desde que seja para buscar a própria felicidade. Está tudo bem mentir, desde que seja para salvar a própria pele. Está tudo bem caluniar desde que seja alguém do time deles, e não do nosso. Está tudo bem trair, adulterar, fornicar, desde que os dois queiram. Está tudo bem blasfemar de Deus, usar o Santo Nome em vão, imitar dons espirituais, desde que seja na brincadeira. Está tudo bem matar, desde que você seja uma vítima da injustiça social. Está tudo bem traficar drogas, desde que você promova alguns bailes, dê algumas cestas básicas, patrocine alguns churrascos. Está tudo bem abortar, desde que isso seja decidido em um plebiscito. E poderia aumentar a lista de pecados modernos indefinidamente. Nós perdemos a capacidade de distinguir as coisas, o branco do preto, para nós tudo é cinza. Não sabemos mais onde o doce fica amargo. Para nós tudo é um grande mingau, uma mistura, uma confusão.

Nós precisamos urgentemente voltar a juntar estes dois conceitos: justiça e bem. Porque não há bem sem justiça.

O Reino de Deus não pode subsistir com a injustiça, seja ela pequena, ou grande. Por isso é que o pequeno Davi, que ainda não era o grande rei Davi, que ainda não havia recebido as promessas messiânicas, veio a Deus em oração e pediu para que o juiz julgasse a falsa acusação de Cuxe, o pequeno e desconhecido Cuxe. A justiça precisava ser feita.

Agora, o que é que Davi esperava receber em resposta de sua oração? E se nós orássemos como Davi, que devíamos esperar em resposta? Pelo quê oramos? Somente por nossos sentimentos, ou pela verdade? Somente pela nossa fama, ou pela justiça? Queremos a queda dos adversários porque criamos ódio contra eles enquanto seres humanos, ou enquanto iníquos? Se os odiamos por serem, simplesmente, então mesmo que se arrependessem, mesmo que Deus os perdoasse, nós os não perdoaríamos. Mas se o que nos incomoda não é a existência deles, mas o mal que eles fazem, então sim conseguimos entender a mente de Davi, e poderemos orar como ele.

Como um primeiro-ministro de Israel disse certa vez, se os guerrilheiros palestinos depusessem as armas hoje, a guerra teria acabado e a paz reinaria, mas se Israel depusesse suas armas hoje, amanhã estaria destruído. Porque essa é a diferença entre os dois. Israel é odiado por existir, mas Israel não odeia assim os palestinos.

Que a malícia cesse, que o mal acabe, que a iniquidade pare, que maldade se esgote, se seque, e não se realize mais. Isso é o que Davi queria. E o justo fosse estabelecido, tivesse permanência, florescesse e prosperasse. Sim, porque a justiça floresce onde o justo faz raízes. E justos precisam de justiça ao seu redor para se nutrir.

De fato, a justiça só pode prevalecer porque Deus é justo. O justo joga conforme as regras e, por isso, estaria em desvantagem diante do injusto, mas só se o juiz não fosse Deus. Por isso, se o justo tiver de florescer neste mundo coberto de injustiça, lotado de gente injusta, até mesmo alguns penetras entre os brasileiros evangélicos jovens adultos, isso terá de acontecer porque Deus fez um milagre, porque Deus interviu na história e fez a justiça prevalecer.

Por esta razão é que Davi pede a Deus, e não a outro, pois nenhum outro vai conseguir. Por isso Tiago fala da oração do justo que muito pode em seus efeitos. Uma associação de justos dificilmente conseguiria sozinha estabelecer a justiça na terra, a menos que tivesse Deus ouvindo suas orações. Isso é o que torna a Igreja tão imbatível, não que ela seja uma associação de justos, mas que ela pertence a um Deus justo.

E quando Davi pede, inspirado pelo Espírito – diga-se novamente, que o justo seja estabelecido, ou, melhor dizendo, profetiza que o justo será estabelecido, não podemos ver aí já uma antecipação da promessa de Cristo à Igreja? As portas do inferno não prevalecerão contra ela!
E como Deus é o juiz de toda a terra, ele vê o coração do ímpio, do mentiroso, mas vê também o coração do reto, do verdadeiro. Por isso, Davi diz que Deus salva o reto de coração! Aquele que é reto não só para mostrar aos outros que é reto, mas é reto porque ama o Senhor, porque ama a retidão. Isso é o que tanto falta em nós, brasileiros evangélicos jovens. Um amor pelo Senhor. Nossa santidade é só mais um esforço para seguir regras que podem ser de Deus ou dos homens, tanto faz para nós. Aparência é tudo. O que será que vão pensar de mim? E isso toma várias nuances. Não é só a máscara do crentinho bitolado e fanático, mas a do discípulo radical, do cristão missionário, do crente descolado, do crente legal, do crente hippie. Deus não se engana com essa conversa de "seja você mesmo". Ninguém se torna mais honesto porque gosta de exibir uma certa classe de pecado e de mau-gosto que outros querem esconder.

Mas a santidade de que fala Davi é aquela que vem do coração. Eu amo o Senhor e por isso ando em seus caminhos. O Senhor me ama e por isso me faz andar em seus caminhos. A hipocrisia não ajuda em nada a nos salvar. Parecer que amamos ao Senhor pode iludir os irmãos, até mesmo a vida toda. Mas Deus olha o nosso coração, Ele sabe se fazemos aquele bem por amor, ou por interesses outros.

Não ajuda em nada ser iníquo e dizer, pelo menos não sou hipócrita. Você só teria a vantagem de não enganar a si próprio, mas iria para o mesmo destino.

Deus é justo. Ele se indigna todos os dias. Ele não se cansa da justiça. Ele não se enfada de fazer o que é justo. A indignação dele não vai se apagando, e Ele se acostumando aos novos tempos, e às novas modas pecaminosas de cada época. Não. O que era injusto e imundo aos olhos Dele há milhares de anos, continua sendo, e ele não parou de se indignar contra o mal. Deus não muda em sua bondade, e por isso não muda em sua justiça. Ele é o mesmo em amor, e portanto é o mesmo em santidade. Deus não suspende os padrões temporariamente. O que é certo e bom sempre lhe agrada. O que é errado e ruim sempre lhe causa indignação. Ele ama a justiça, como dizia aquele mesmo reformador da consciência limpa.

Por isso, porque Ele é amor santo, porque Ele ama e odeia o pecador, Ele está com seus instrumentos de morte preparados, mas esperando, dando tempo ao ímpio para que se arrependa. O iníquo já está na mira. Não pode escapar do julgamento, a menos que se arrependa.

E o mais interessante ficou para o final. A providência de Deus é tal que o instrumento de morte contra o ímpio é a sua própria impiedade. Quanto mais injustiça ele pratica, mais fundo cava um buraco para si próprio. O mal que cai sobre a sua cabeça é a sua própria maldade.

E como em todo bom culto onde Deus é glorificado, o justo Davi termina dizendo que vai fazer aquilo que ele mais gosta de fazer. O mesmo que ele pretende fazer por toda a eternidade. Render graças e cantar louvores ao Nome do Senhor Altíssimo.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Carta a um amigo calvinista sobre "resistir a graça"

Esta é uma resposta real ao questionamento de um amigo a respeito da questão fundamental que é sobre ser possível ou nao resistir à graça de Deus.

Eu tentei ser o mais suscinto possível ao tratar do assunto, mesmo sendo algo tão precioso, como é a doutrina da graça. Creio que fui bem sucedido e acabei sendo suscinto além da conta.

Mas já é um começo. Pode ajudar quem está aberto, buscando respostas. Talvez seja de pouca valia para quem já está entrincheirado em uma posição teológica. Mas isso não me incomoda, na verdade, porque não é para estes, nem por estes, que eu escrevo este artigo. Mas sim por aqueles como o meu amigo, que ainda estão abertos a perguntar.

Que Deus te abençoe e que esse seja um passo na caminhada de reflexão, para aqueles que já começaram, e um empurrão para aqueles que ainda nem tentaram, conhecer o amor de Deus que excede todo o entendimento.



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Paz meu irmão! Pelo que eu entendi a parte difícil de entender para você foi a questão da graça resistível. Imagino então que as outras partes foram mais fáceis de entender. Com isso em mente, estou enviando apenas alguns versículos e explicações curtas para demonstrar que a doutrina da graça inclui o fato de ela ser resistível. Não são todos os textos bíblicos que apontam para essa doutrina sagrada, mas são suficientes, penso eu, para esclarecer as dúvidas. Eu separei os versículos, começando pelos do NT, que eu penso serão mais relevantes para você à primeira vista, e alguns do AT, que deixam isso ainda mais claro.

Quando Estevão enfrentou o julgamento pelo sinédrio, ele esclareceu que o problema dos seus algozes não era falta de argumentos racionais, provas e evidências, nem falta de ação do Espírito Santo para convencê-los. O problema deles era que resistiam ao Espírito Santo:

Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais.

Atos 7:51

Jesus, diante de Jerusalém, pronunciou palavras duras de julgamento contra a cidade. Ela havia rejeitado o Messias, e não foi por falta de o Messias querer que ela fosse salva. De fato, o Messias quis, e fez tudo o que era cabível à graça do Senhor fazer para que ela se convencesse, mas ela resistiu. Resistiu porque ela não quis, veja:

Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!

Mateus 23:37

O Espírito Santo pode ser entristecido, e com certeza Ele não é entristecido quando o obedecemos, mas sim quando o resistimos:

E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção.

Efésios 4:30

O Senhor disse que o Seu Espírito Santo não contenderia para sempre com o homem. Ora isso pressupõe que o homem oferecia resistência e, por isso, o Espírito necessitava de contender com ele:

Então disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos.

Gênesis 6:3

A ligação entre resistir ao Espírito e entristecer o Espírito é vista claramente neste trecho de Isaías:

Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo; por isso se lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles.

Isaías 63:10

A doutrina de que é possível resistir ao Espírito Santo, e portanto à graça, é bíblica e sólida.

Não faz parte da sua pergunta, mas eu creio que a doutrina que segue logicamente é a doutrina da universalidade da graça. Ou seja, que a graça para salvação se estende a todas as pessoas, que Deus proveu para a salvação de todas as pessoas, e que as que não são salvas, não o são porque resistem à ação tremenda de amor do Espírito Santo.

Para provar que a graça é universalmente oferecida, eu vou colocar alguns textos bíblicos a seguir, no mesmo método.

São Paulo escrevendo a Tito sobre a prática da vida cristã enuncia sobre a graça:

Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens,

Tito 2:11

Não sobrou espaço para erro de interpretação neste versículo: “a graça salvadora de Deus”, o seu amor para com os homens, e a sua oferta de reconciliação, “se há manifestado”, se tornou, não só disponível, mas realmente ativa, “a todos os homens”, sem exceções aqui. A palavra é "homens", não tipos de homens, não raças, não povos, mas homens, indivíduos.

O apóstolo São João, falando da pessoa de Jesus, e descrevendo-o em sua divindade, diz o seguinte:

Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.

João 1:9

Qual o sentido da palavra luz aqui? É só colocar os nomes no lugar dos pronomes, e fica fácil de entender: todo homem que vem ao mundo vem sob a luz de Cristo de alguma forma. Essa luz capacita todo homem que vem ao mundo para receber a Cristo e aceitar a luz ou rejeitar à luz.

E finalmente, o versículo que foi o divisor de águas na minha vida, o texto que me fez ver que não havia espaço para o calvinismo nas Escrituras Sagradas, é o seguinte:

Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.

Romanos 5:18

Aqui, São Paulo deixa claro que: a extensão da graça de Deus é tão ampla quanto a extensão da condenação pelo pecado. Assim como a condenação veio sobre todos os homens, a graça veio sobre todos também.



Depois que entendi este texto, o restante da Bíblia se encaixou como mão na luva. Tudo fez sentido. Meu coração se pacificou, e entendi que “Deus é amor” não é mera propaganda, é realidade. Não estou dizendo que todos os mistérios foram resolvidos. Ficou bastante coisa ainda a ser revelada. Mas o que ainda é um mistério não afeta o que já foi revelado: Deus é amor, Deus ama a todos os homens, Deus oferece a sua graça a todos os homens, porque Deus quer salvar a todos os homens. Os que são condenados o são por sua própria insensatez e resistência. Não porque foram incondicionalmente condenados em um decreto secreto, e criados apenas para provar que o decreto funciona - uma doutrina que não encontra nenhum suporte bíblico. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A volta de Jesus


Antes de seguir lendo este artigo, aconselho-te a ler São Marcos 13, São Mateus 24, ou São Lucas 21, caso ainda não tenha esses textos de memória. O que vou falar agora não é diferente do que está escrito neles. Estes 3 textos bíblicos são o farol para os demais textos das Escrituras que falam a respeito da vinda de Jesus. Nas palavras de Jesus registradas pelos apóstolos nós encontramos o mapa para interpretar as profecias a respeito do futuro.

Quero falar, antes de tudo, da vinda do Senhor. Me parece que na agenda das Escrituras, o próximo evento histórico crítico a acontecer não é o fim do mundo, nem as próximas eleições, nem o próximo papa, nem a próxima guerra. Não é o aparecimento do Anticristo, nem da besta, nem do falso profeta. Eu diria, mais ousadamente, que sequer o próximo e grande avivamento que esperamos (ou ao menos desejamos) antes da vinda de Jesus não é o grande próximo episódio crítico para a história da redenção. A vinda do Senhor Jesus, o seu retorno em glória é o evento crítico, esperado, desejado e ansiado pelo seu povo. É esse evento que mudará tudo, dramática, certa, irremediável, e indubitavelmente.

As outras coisas são importantes, mas não são críticas como a vinda do Senhor Jesus. Elas tem seu lugar na história enquanto preparações, e introduções, como que pavimentando o caminho que nosso Senhor pisará quando vier. No entanto, assim como num casamento há muitos convidados, mas a presença dos noivos é mais importante do que a presença de qualquer um deles, assim será na vinda do Senhor. É importante que o Anticristo se manifeste? Sim. É importante que o avivamento aconteça? Sim. É necessário que os falsos profetas se levantem, assim como os falsos cristos? Sim, absolutamente. E será importante o trabalho das testemunhas do reino em todo mundo, sejam as 144.000, sejam as duas testemunhas, seja o testemunho dos anjos? Sim, com certeza. Mas é a vinda do Noivo que a Noiva aguarda. Ela compreende a necessidade dos outros eventos, mas é este evento que muda tudo.

Há muitos eventos sobrenaturais que foram prometidos. Muitos acontecendo agora, outros que estão por vir. Mas O EVENTO sobrenatural que esperamos e que desejamos, não é outro senão Aquele que há de vir vindo, sobre nuvens, com clangor de trombeta.

Sobre a vinda de Jesus, devemos aguardar que seja, primeiro, visível, segundo, imprevisível, terceiro, gloriosa, quarto, certa.

Visível, porque “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém.” (Ap 1.7) e porque "verão vir o Filho do Homem nas nuvens” (Mc 13.26).

Todos verão. Alguns pensam que será por meio da TV ou da internet. Eu, sinceramente, creio que não. Talvez possa ser transmitido via TV, mas eu creio que será maior do que isso. Será um evento tão mais glorioso do que o sol, que brilhará em toda a Terra, até onde ainda for noite. De alguma forma, penso, todos olharão para os céus na direção de Jerusalém e verão a mesma gloriosa e terrível visão do Filho do Homem vindo nas nuvens.

“Até mesmo os que o traspassaram” talvez por causa da ressurreição dos mortos, mas eu creio que muito mais por causa dos perseguidores da igreja que estarão vivos quando isso acontecer. Como Jesus disse a Saulo “por que me persegues?” enquanto ele na verdade perseguia a igreja, creio que o Senhor será visto pelos que o perseguirem enquanto perseguem a igreja que estiver viva naquela época (que bem pode ser esta em que vivemos).

Será imprevisível, porque o Senhor já disse “daquele Dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos que estão no céus” (Mc 13.32) e “não sabeis quando chegará o tempo” (v.33) e “vigia, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa” (v. 35).

Por isso é penoso ouvir um teólogo que diz que o Senhor não pode voltar agora, porque tal e tal profecia ainda não se cumpriu, ou que o Senhor já voltou, e não temos que esperá-lo.

Alguns pensam que Jesus não pode voltar imediatamente porque o Anticristo tem de se manifestar antes. Mas eu diria que ele já pode ter se manifestado e nós não termos tido coragem de identificá-lo. Digo que o Anticristo, talvez, pode ser um sistema de coisas que já está se manifestando, não necessariamente um indivíduo (embora eu, particularmente creia que é, ou será, um indivíduo). A história está cheia de candidatos a Anticristo que muito bem caberiam nas profecias bíblicas (Nietzsche não é nenhum deles, só para constar). O primeiro que caberia como uma luva foi Nero, e depois dele tantos outros, e ainda hoje.

Outros dizem que Jesus não pode voltar agora porque a igreja ainda não cumpriu a sua tarefa, pois ainda há povos não alcançados, ou porque o mundo ainda não foi cristianizado. Mas eu diria que a igreja já tinha cumprido sua tarefa nos tempos de São Paulo. Pelo menos ele escreveu assim.

Jesus nunca condicionou a sua vinda a um determinado desempenho da sua igreja na evangelização do mundo. Pelo contrário, justamente porque o desempenho da igreja é irrelevante para determinar o tempo da vinda do Senhor é que ele nos mandou trabalhar enquanto esperamos, pois ele pode voltar agora e nos pegar despreocupados em cumprir a nossa tarefa.

Ele pode vir e nos achar preguiçosos e inúteis, vagando pelas veredas do mundo para “aproveitar a vida” enquanto a missão está inacabada. O servo não deve descansar enquanto seu Senhor está trabalhando, o discípulo não deve dormir enquanto o Mestre está acordado. O servo não é maior do que o Senhor, nem o discípulo maior do que o Mestre. Se o Pai trabalha nós devemos trabalhar, e não devemos nos tornar arrogantes, pensando que o Senhor está em uma fila esperando até que nós, por nossa boa vontade decidamos fazer o nosso trabalho e chamá-lo para vir nos buscar porque já preparamos a casa. Ele virá, estejamos preparados para recebê-lo ou não. Por isso, porque é imprevisível a data de sua vinda, é que devemos sempre trabalhar, e lutar com todo o afinco para que, quer Ele venha de manhã ou à meia-noite, não nos encontre preguiçosos.

Será gloriosa, porque desta vez será diferente de quando Ele veio humilde, em uma manjedoura, em extrema pobreza e miséria, sentado em um jumentinho emprestado, sem vestes reais, sem pompa, sem anúncios, sem poder militar ou político.

Desta vez, o Senhor virá “com grande poder e glória” (Mc 13.26). Anjos o cercando, som de trombetas, um exército de santos, de todas as gerações, mudanças cósmicas impressionantes. O Senhor virá derrotando exércitos, neutralizando todo poder bélico humano. Ele é a pedra pequena que quebrou os pés da estátua em Daniel e cresceu e encheu a terra toda. Ele é aquele que derrotará o Anticristo com um sopro da sua boca. Ele é aquele que derrotará a Gogue, rei de Magogue. O Senhor é o seu nome. Ele é Kyrios, Ele é o Rei dos reis e Senhor dos senhores – não é isso que está escrito na sua coxa?

Portanto, Ele virá, então, para julgar a terra. Nunca mais o Senhor será julgado por homem algum, como foi da última vez. Nunca mais o prenderão, nunca mais o esbofetearão, nunca mais o humilharão nem cuspirão, nem ameaçarão. Eles zombaram Dele, mas desta vez tremerão diante Dele.

Não haverá jornalistas blasfemando do Senhor, como vemos hoje. Nem falsas religiões dizendo coisas horríveis contra o Senhor. Nem falsos profetas, ou falsos mestres serão admitidos. Imagine o choque que será para a filosofia, a ciência, e todos os ramos do conhecimento, quando Aquele que desprezavam como uma lenda antiga e bizarra de gente ingênua e odiável estiver diante de seus olhos.

Os ateus que sempre pediram uma "prova incontestável e visível" do Senhor, desprezando todas asprovas já incontestáveis que Ele deixou, terão aquilo que desejam, mas será tarde demais. O Senhor virá, mas com espada, com cetro de ferro, inquebrável. Ele não será dobrado por ninguém. Satanás não O levará a monte algum, não lhe mostrará nada, nem ousará oferecer-lhe qualquer coisa, como afrontosamente fez da primeira vez que o Senhor veio. Todos estarão calados diante Dele. Só uma luz brilhará, só um nome será louvado: o do Senhor!

Participarão da Sua glória os que participaram da Sua humilhação. Serão honrados os que o honraram. Reinarão com Ele os que já o serviam como Rei. E os rebeldes serão julgados.

A vinda do Senhor é certa. Tão certa quanto a Sua ressurreição. Se alguém crê na ressurreição, deve crer na vinda do Senhor pelos mesmos motivos. Aquele que prometeu que ressuscitaria ressuscitou. Ele também prometeu retornar, como poderá não cumprir esta promessa? Se cremos que o Senhor está vivo, nada pode ser mais natural e lógico do que crer que o Senhor virá. Se vivemos pela Sua ressurreição, é necessário que ressuscitemos pela Sua vinda.

Nenhum anseio é mais profundo para quem ama o Mestre vivo, do que vê-lo, e encontrá-lo face a face. E isso ocorrerá quando o Senhor vier. Ouço muito dizerem que o que mais lhes marcou no livro de Jó foi o texto que diz, “conhecia-te só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te veem.” Me parece interessante como alguns julgam que já tiveram essa experiência porque oraram e sentiram o Espírito em seu coração, ou porque ouviram uma mensagem pregada e foram profundamente tocados. Para eles eu diria que isso é muito bom e maravilhoso. Mas ver o Senhor com os próprios olhos será algo real, literal, verdadeiro, não figurado, não uma comparação ou um sentimento interno, mas uma realidade para aqueles que o amam, e amam a Sua vinda.



Assim, concluímos mais um capítulo das nossas meditações sobre escatologia. Só para lembrar o leitor, quero dizer que eu desejava escrever sobre missões, mas não posso sem antes escrever sobre escatologia. Se você for um leitor atento já começou a perceber como as duas coisas estão intimamente ligadas.